Do Rosário diz que eleições estão na origem de conflitos políticos e militares no país
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As eleições constituem o principal motivo de conflitos políticos e militares em Moçambique. A posição foi defendida por Lourenço do Rosário no Fórum de Reflexão Social sobre "paz e desenvolvimento", organizado em Maputo no princípio do mês de Outubro.
O académico recuou no tempo para lembrar que em 1994, a Renamo não aceitou os resultados das primeiras eleições multipartidárias, alegando fraude. Mas seria nas eleições de 1999, as segundas no país, que a situação se agravaria, pois a Renamo não só voltou a não aceitar os resultados, como também não reconheceu o governo formado por Joaquim Chissano em 2000.
"Se estão recordados, em termos históricos, é partir daí que nós começámos a ouvir falar de diálogo. E está aqui um dos protagonistas desse diálogo, o senhor Raúl Domingos, que na sequência dos conflitos de 1999 esteve envolvido diretamente nestas negociações", lembrou. Dois anos mais tarde, e por iniciativa do então Chefe de Estado Joaquim Chissano, cria-se um Comité de Conselheiros para elaborar uma agenda estratégica da nação, a Agenda 2025. "Os antecedentes que estão por detrás disso são de conhecimento público: houve grandes movimentações nos bastidores, principalmente o Presidente Jimmy Carter teve longas conversas com Afonso Dhlakama, tentando convencê-lo a integrar a Renamo na discussão da agenda", recorda Do Rosário.
Segundo este mediador do diálogo político entre o Governo e o partido de Afonso Dhlakama, a Renamo acabaria por aceitar integrar o Comité de Conselheiros da Agenda 2025 e indicou David Alone (já falecido). Os 14 membros do Comité de Conselheiros, oriundos de partidos políticos, academia e sociedade civil, elaboraram o que viria a ser conhecido por Agenda 2025, documento no qual traçaram vários cenários que o país poderia experimentar até 2025.
Lourenço do Rosário disse que, em paralelo, o país estava num processo de avaliação através do Mecanismo Africano de Revisão de Pares (MARP). "Nós considerávamos que o país evoluiu, houve um crescimento demográfico, houve o surgimento de riquezas e começaram a surgir os primeiros conflitos de posicionamento de como poderíamos encarar a partilha de tanta riqueza que era descoberta (carvão de Tete e gás natural da bacia do Rovuma)".